HERANÇA CULTURAL PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Escrito por António Laranjeira   
Segunda, 01 Dezembro 2003 17:51

Do artesanato, passando pelas tradições como a chocalhada, ou as procissões, vários elementos constituem a cultura desta bela vila.

Artesanato

Em tempos, algum artesanato fez parte das actividades económicas, como as mantas de retalhos e alentejanas tecidas em teares horizontais, que sustentava a mão-de-obra feminina, que não trabalhava no campo.

Não nos pudemos esquecer a mão-de-obra masculina agrupada nos ofícios, com os mestres e os aprendizes, que trabalhavam na vila: alfaiates, sapateiros; ferreiros; albardeiros, latoeiros; carpinteiros; ferradores, barbeiros...

Todas estas profissões (ofícios) começaram a desaparecer nos finais da década de 60 e nos princípios de 70. Hoje, restam os barbeiros e um sapateiro.

Os objectos de madeira e cortiça (colheres, garfos, tarros, etc.) eram trabalhos feitos nos períodos de descanso.

Na década de 70, teve grande importância o aresanato em vime. Chegou a empregar mais vinte trabalhadores

Existe vontade de recuperar estas tradições, principalmente vimes. Assim, através do I.E.F.P. – Delegação Regional do Alentejo - Centro de Formação Profissional de Portalegre, decorreu, no período de Março/97 a Março/98, um curso de artesanato em vimes, com a participação de 15 formandas. Esta accção teve a colaboração do Centro de Emprego de Ponte de Sor e da Junta de Freguesia de Galveias.


Artesanato em madeira,
cortiça e tecelagem

 


Cestas de vime
Curso de artesanato

 


Peças em vime
Curso de artesanato


Tradições


PROCISSÃO DE S. SATURNINO
(Dar papas a S. Saturnino).

Em épocas de longos estios, a população reunia-se em frente da Capela da Misericórdia, partindo em procissão, rezando e pedindo para que chovesse, até ao alto de S. Saturnino, onde se situa a capela deste santo. Neste local eram distribuídas papas por todos os presentes.

Afirma o povo que muitas vezes as suas preces foram ouvidas, saíram com sol e regressaram sob chuva intensa.


PROCISSÃO DOS TERCEIROS

Grandiosa manifestação de fé que em procissão percorria as principais ruas de Galveias, anunciava o início da Quaresma.

O cortejo contava com onze imagens de santos de grande valor artístico e iconográfico, que faziam parte do espólio da Capela da Misericórdia, onde começava e terminava a referida procissão.

Neste século, realizou- se unicamente em 4 de Março de 1945 e saíram à rua, por esta ordem, as seguintes imagens: Santa Rosa; Santa Miquelina; S.Lúcio; S. Salvador do Mundo; S. Luís – Rei de França; S. Francisco de Assis; S. Francisco das Chagas; Padre Santo de Roma; Nossa Senhora da Conceição; Santa Mónica e S. Ivo – Os Bem-Casados.

As imagens que desfilavam pelas ruas eram patronos das famílias mais abastadas da freguesia, pelas quais eram vestidas e arranjadas.


PROCISSÃO DO SENHOR DOS PASSOS

Todos os anos, pela Páscoa, no Domingo de Ramos realiza-se a procissão do Senhor dos Passos, que relembra o sofrimento de Cristo a caminho do Calvário.

O andor do Senhor sai da Capela de Santo António e percorre algumas ruas até chegar ao Largo do Terreiro, onde se dá o Encontro, surge a imagem da Virgem Mãe de Jesus, vinda da Igreja Matriz.

Após, as palvras proferidas pelo Pároco, referentes a este acto, as imagens seguem para a Igreja Matriz, terminando a procissão com uma Missa.

A procissão é acompanhada pela Banda da Sociedade Filarmónica Galveense.

Na véspera, a partir das 21 horas, realiza-se a Procisão das Velas, saindo a imagem de Cristo (Senhor dos Passos) da Igreja Matriz para a Capela de Santo António.



PEDIR OS SANTINHOS

No dia 1 de Novembro, pedem-se os santinhos: as crianças e alguns adultos vão de porta em porta , com uma bolsa, pedir os santos.

Recebem guloseimas, frutos, dinhei-ro...


    CHOCALHADAS

    Cortejo carnavalesco composto por homens, que desfilavam com chocalhos de diversos tamanhos pendurados ao pescoço, enquanto três ou quatro homens desempenhavam o papel de boi, vestindo e mascarando-se para tal. Percorriam as ruas de Galveias, iluminados com archotes, bailando, declamando versos, ao som da música dos chocalhos.

    Desconhece-se a origem desta tradição, mas o objectivo era chocalharem as raparigas e as mulheres no dia das comadres e realizou-se pela última vez em 1945.

         


Mascarados (Ensaiados)
Carnaval (Entrudo)
 

Além, dos mascarados, que os galveenses chamam ensaiados, também fazem parte da tradição carnavalesca: o bate-portas; as caqueiradas; o serrar da velha e o enterro do Entrudo na Quarta-feira de cinzas.


FEIRA DE MAIO

Galveias tem a sua feira anual no primeiro domingo de Maio, embora de pequenas dimensões, atrai a população da freguesia e arredores.


Publicações sobre Galveias

"Memórias de Galveias"

Autor: Jerónimo Velez Milheiras

Edição: Junta de Freguesia de Galveias, Fevereiro de 1997

Existem diversos documentos escritos sobre Galveias, de diferentes autores, dispersos por várias publicções e em diversos Arquivos e Bibliotecas.

Pesquisa do muito que se escreveu sobre esta Terra e a recolha de informação popular, de pois de analisada e trabalhada nasceu este livro, cujo o autor é galveense, nascido em 7 de Fevereiro de 1936.


Lançamento e apresentação pública do Livro "Memórias de Galveias"

"A Minha Poesia" – 1º Volume

Autor: João Maria Seixas

Edição: Casa do Povo de Galveias, Fevereiro de 1989


"A Minha Poesia" – 2º Volume

Autor: João Maria Seixas

Edição: Casa do Povo de Galveias, Fevereiro de 1992

Estas obras tiveram como objectivo a recolha dos trabalhos do autor, a defesa e divulgação da poesia popular.

Mostram-nos a capacidade deste poeta galveense, nascido em 18 de Outubro de 1936, em retratar sentimentos, vivências próprias, situações, pessoas, locais e tradições de Galveias, que nos são transmitidos de uma forma irónica, melancólica e pedagógica.


João Maria Seixas (poeta)

"Galveias - Poesia"

Autor: Vários

Edição: Casa do Povo de Galveias, Fevereiro de 1990

Colectânea de várias quadras e décimas, escritas por diversos poetas populares alentejanos, de acordo com os dois temas propostos, referentes a Galveias e aos Descobrimentos: "Galveias tem laranjais" – quadras e "Realçando os bons momentos/ Da expansão nacional,/Surgem os descobrimentos/Desde Zarco até Cabral". – décimas.



À luz baça da candeia,
Em acordes musicais,
Canta-se a seguir à ceia:
Galveias tem Laranjais!

 
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